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UM RAYU EM MINHA VIDA.
Terça, 07/01/2014 09:40
Por: Minas News
Dono do mundo, sem empáfia ou prosa. Simplesmente veio a passeio para desfrutá-lo, sem culpas e freios, até o osso. Tinha hobies só seus e gosto refinado para arte, música e velocidade. Pisava fundo em seus veículos envenenados e remexidos. Sua alegria era turbinada por motores e carenagens transformados pela sua ousada autoria. Passava horas a elucubrar designs, a acelerar suas máquinas, a desenhar e rascunhar com sua farta imaginação.



Quando menino, Christoff era espevitado, expresso, curioso. Tinha todos os brinquedos, alguns inimagináveis, irreais até em nossos sonhos.
Sua flash presença enchia por completo a família, o colégio, o ambiente. Carisma em pessoa.
A meninada torpe estancava com tantas e mirabolantes idéias. Miragens para nosotros, terra firme para ele. Descobertas antevistas.
Invejava sua coragem adulta, sua certeza indubitável, lógica. O que era dois mais dois para ele, para o resto da turma boquiaberta, mediana, era uma um devaneio.
Dono do mundo, sem empáfia ou prosa. Simplesmente veio a passeio para desfrutá-lo, sem culpas e freios, até o osso.
Tinha hobies só seus e gosto refinado para arte, música e velocidade. Pisava fundo em seus veículos envenenados e remexidos. Sua alegria era turbinada por motores e carenagens transformados pela sua ousada autoria. Passava horas a elucubrar designs, a acelerar suas máquinas, a desenhar e rascunhar com sua farta imaginação.
Certos dias, afoito, batia a vida no liquidificador e bebia num gole só, noutros saboreava a noite gota a gota, gole a gole. Bastava ter uma companhia amiga, uma comunhão de alma ou uma comemoração que o amanhecer era certo.
O usual era cozinhar no próprio caldo. Borbulhava-se. Adorava ser o híbrido Rayu. Dadivoso. Fleumático, sem ser narciso.
Gostava de ficar só, a tramar, divertir, projetar, viajar, dar asas a sua privilegiada cachola. Se satisfazia. Feliz, amiúde.
Era sempre Rayu. Único, inteiro, pleno e iluminado.
Generoso, quase um pródigo para os mais próximos. Nunca despedi do primo sem ser presenteado com um mimo, um quadro, um incentivo, um toque, uma luz.
Jamais borocochou numa conversa, debreou ou jogou a toalha numa aventura. Despejava ânimos ou dava pitos quando vacilávamos.
Cagava e andava para boatos, disse-me-disses, fofocas. Ignorava a mediocridade, evitava os baba-ovos, a turbe ignara.
Vivia a vida sem horários, regulamentos, agendas e não dava satisfação a seu ninguém.
Degustava e flainava como um dandi. Livre, leve e louco.
Nas madrugadas, na mais pura intimidade, revelava-se apaixonado pelos filhos e o mais orgulhoso pai. Nikita e Ian eram suas pedras preciosas. Amava-os no silêncio e discrição.

Rayu Ribeiro Christoff, a inteligência e delicadeza mais bruta e amorosa que conheci, se foi. Escafedeu-se. Está a plainar sobre nós. Soberano, com toda a sua fleuma. Sinto-me desamparado, sem poita, uma lágrima só, num oceano enxuto e árido.
Rayu, meu primo, meu amigo, meu irmão, minha luz!
Vá em Paz!
Te beijo de longe, de onde sempre quis te trazer e não consegui, mas que será a partir de agora nosso lugar de encontro.
Ucho.
Rio Preto. 03/01/14

Mário (Ucho) Ribeiro Filho


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