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Eternit é condenada a pagar mais de R$ 400 milhões a ex funcionários por causa do amianto
Domingo, 28/02/2016 08:17
Por: Minas News
A decisão foi tomada na união de duas ações: uma do Ministério Público do Trabalho pedindo indenização por dano moral coletivo e acompanhamento médico e outra, da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), pedindo indenização para cada ex-trabalhador exposto à fibra cancerígena que é proibida em mais de 60 países

 

por Cássia Almeida

 

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RIO - Em uma sentença considerada histórica a Eternit, fabricante de telhas e caixas d"água de amianto, foi condenada a pagar mais de R$ 400 milhões de indenizações por expor trabalhadores a este mineral considerado potencialmente cancerígeno. A indenização determinada pela juíza Raquel Gabbai de Oliveira, da 9ª Vara do Trabalho de São Paulo, é a maior já imposta à empresa que explora amianto no Brasil. A decisão foi tomada na união de duas ações: uma do Ministério Público do Trabalho pedindo indenização por dano moral coletivo e acompanhamento médico e outra, da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), pedindo indenização para cada ex-trabalhador exposto à fibra cancerígena que é proibida em mais de 60 países.

“Da extensa fundamentação já exposta, verifica-se que a empresa ré expôs seus ex-trabalhadores e a sociedade à substância cancerígena, cuja lesividade é conhecida há mais de um século, e que desse contato podem resultar doenças, que já vitimaram alguns dos ex-trabalhadores e ainda podem atingir outros. Além da ofensa à saúde dos indivíduos, há risco também à saúde coletiva pela poeira produzida durante o funcionamento da fábrica”, diz a juíza na sentença da última sexta-feira. 

A sentença é dividida da seguinte maneira: R$ 100 milhões por danos à coletividade, que financiará um fundo para atividades de apoio aos doentes pelo amianto. A juiza estabeleceu também indenização de R$ 300 mil por dano moral e mais R$ 90 mil por dano moral existencial, aquele dano permanente que muda completamente a vida da pessoa a cada trabalhador já doente. A indenização é devida a filhos e viúvas de ex-trabalhadores mortos. A sentença manda a Eternit indenizar também cada trabalhador que exposto ao amianto, em R$ 50 mil, valor que pode subir se a pessoa adoecer. A decisão também manda a empresa patrocinar tratamento médico completo e vitalício e fazer anúncios nas principais redes de televisão para chamar os trabalhadores da empresa e seus parentes para que se habilitem a receber o benefício estabelecido pela Justiça.

 Ainda cabe recurso à decisão, que é de primeira instância, mas a sentença já é considerada um marco na luta pelo banimento do amianto.

Na opinião do advogado da Abrea, Mauro Menezes, esta é "uma sentença realmente histórica, vanguardista, inovadora, ousada e absolutamente justa. Envolve a fábrica de Osasco que é o marco simbólico tanto do desastre ambiental quanto do prejuizo aos trabalhadores. Foi ali que nasceu a Abrea, foi ali que começou o movimento de resistência e surgiu a proposta de banimento do amianto".

MAIOR SENTENÇA APLICADA À EMPRESA

Segundo a procuradora do Trabalho e vice-gerente do Programa Nacional de Banimento do Amianto do Ministério Público do Trabalho, Márcia Kamei Lopez Aliaga, a sentença é maior já aplicada à Eternit

— O Judiciário reconheceu que é uma atividade perigosa e que não foi bem gerenciada pela empresa. Reconhece que várias pessoas tiveram a saúde afetada. Depois dessa sentença, devemos questionar a própria continuidade desse tipo de atividade no Brasil.

Menezes tem cadastrados na Abrea entre 750 e 800 trabalhadores cadastrados:

— Essas indenizações individuais somam entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões. Mas vamos recorrer para aumentar o valor.

A decisão abre dois precedentes jurídicos: não se considerou a prescrição (as doenças podem começar a surgir até 30 anos à exposição à fibra) e nem a necessidade de se provar que a doença estava ligada à exposição ao amianto. A empresa foi condenada por expor seus trabalhadores à substância cancerígena.

“A repercussão pública dos adoecimentos ultrapassa ainda o aspecto financeiro, pois os efeitos atingem também a organização familiar e a convivência de um número de pessoas ainda incerto, de famílias em que filhos perdem seus pais, tem de lidar com a morte precoce e muitas vezes dolorida, como nos casos de câncer, ou ainda com a incapacidade prolongada e progressivamente limitante das placas do chamado “pulmão de pedra”, diz a juíza na sentença.

Segundo Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Trabalho e uma das fundadoras da Abrea, a luta pelo banimento do amianto tem avançado na Justiça:

— A sentença abre um precedente importante. As decisões vinham sendo muito conservadoras.

O Ministério Público do Trabalho já entrou com ação semelhante contra a fábrica em Guadalupe, no Rio de Janeiro, e está investigando as unidades da Bahia e Curitiba.



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