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Delação pode acelerar cassação do senador Delcídio Amaral, do PT
Quinta, 03/03/2016 14:58
Por: Minas News

Senador Telmário Motta

 

Relator do pedido de quebra de decoro contra o senador Delcídio Amaral (PT-MS) no Conselho de Ética do Senado, o senador Telmário Motta (PDT-RR) afirmou, na manhã desta quinta-feira (3), que a delação premiada que o petista está fazendo deve acelerar seu processo de cassação.

 

"Imagina, o cara se autoconfessa réu. Acho que sim (acelera a cassação)", disse o pedetista, que foi escolhido como relator do caso na véspera e deve apresentar o parecer sobre a admissão da abertura do processo contra Delcídio já na próxima semana.

 

Questionado se pode haver uma união de parlamentares para salvá-lo da punição, Telmário preferiu responder por ele: "Não aceito esse tipo de pressão. Não há nada no mundo que me faça aceitar. Vou agir na legalidade e com a minha consciência. Não há perigo de eu sofrer influência."

 

Em entrevista no corredor do Senado, Telmário fez questão de ressaltar que é vice-líder do governo Dilma no Senado para defender "as coisas importantes para o País, não para estar protegendo ninguém". "Fui eleito sem grupo político e financeiro, combatendo a corrupção. Não serei passivo a tudo isso não. Não vou passar a mão na cabeça de ninguém", afirmou ele, que é senador de primeiro mandato.

O senador Telmário Mota afirmou após repercussão que não passará a mão na cabeça de ninguém Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Telmário Mota afirmou após repercussão que não passará a mão na cabeça de ninguém

 

O pedetista ponderou ter votado contra a prisão de Delcídio em novembro por avaliar que ela não estava de acordo com a legalidade. Afirmou que era preciso ter havido o cometimento de crime flagrante e inafiançável, o que, a seu juízo, não ocorreu.

 

O senador do PDT adiantou que, após as notícias sobre delação, não vai procurar Delcídio por telefone, nem receber qualquer telefonema dele. Telmário afirmou que o caso do petista será tratado "de forma transparente" e frisou que a "conversa" entre eles será por meio de documentos. Ele afirmou ter cancelado sua volta para Roraima para se debruçar sobre os autos do processo ao longo do fim de semana.

 

"A partir do relatório prévio, que tenho de entregar até quarta-feira, vamos ver se acata ou não e aí vai se abrir a oitiva", disse o pedetista, sem revelar qual posição tomará.

 

O senador do PDT lembrou que Delcídio telefonou para ele logo após Telmário ter cobrado explicações da tribuna da Casa sobre uma reportagem da Folha de S. Paulo na qual o petista insinuava que poderia envolver outros senadores em irregularidades. Segundo ele, Delcídio disse que jamais faria isso, não tinha esse tipo de informação e que aquilo não era verdadeiro.

 

 

Cardozo diz que Delcídio não tem credibilidade para fazer acusações

Recém-empossado como ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, disse hoje (3), momentos após assumir o novo cargo, que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do Governo no Senado,  “não tem nenhuma credibilidade” para fazer qualquer acusação, caso sejam confirmadas informações de que ele teria feito acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Segundo a revista Isto É, o senador teria firmado um acordo de delação premiada com a equipe que investiga a Operação Lava Jato e nos depoimentos Delcídio do Amaral teria dito que a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.

“Vamos ser francos. Em primeiro lugar, não sei se há realmente uma delação premiada. Se houver, o senador Delcídio, com quem sempre tive excelentes relações, não tem primado por dizer a verdade”, disse Cardozo, após a cerimônia de posse ocorrida no Palácio do Planalto.  Cardozo deixou o comando do Ministério da Justiça e assumiu a AGU. “Sinceramente, independentemente do que foi dito, o senador Delcídio, depois de todos os episódios, não tem nenhuma credibilidade para fazer nenhuma afirmação”, acrescentou.

“Ainda vou ler a matéria para entender o que ele está falando. Se é verdade que ele fez a delação premiada, a possibilidade de, mais uma vez, ele ter faltado com a verdade é grande. Faltou no episódio da fita, depois desdisse. Disse que tinha falado com o ministro do STF, depois disse que não falou. Depois disse para todo mundo que não tinha feito delação premiada, e que isso era um absurdo. É triste. Mas vamos ver o que realmente acontece”.

Cardozo confirmou que alguns integrantes da base governista têm recebido recados vindos de Delcídio, nos quais ele ameaça fazer retaliações, caso não atuassem no sentido de retirá-lo da prisão.

“Sim, recebemos muitos recados. Inclusive muitos foram publicados na imprensa, em que se falava que se o governo não agisse para tirá-lo da prisão ele faria retaliações. Se efetivamente houve isso, há forte possibilidade de se tratar de retaliação, até porque isso foi anunciado previamente”, disse Cardozo.

Delcídio do Amaral foi preso pela Operação Lava Jato após apresentação de uma gravação em que ele oferece R$ 50 mil por mês e um plano de fuga ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que este não firmasse acordo de delação premiada com o Ministério Público. O senador ficou preso por mais de 80 dias. No dia 19 de fevereiro o senador passou, por determinação judicial, a cumprir o recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga. 


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