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A ameaça das “fake news” na eleição presidencial e o exemplo do que aconteceu em Montes Claros
Sexta, 16/03/2018 12:00
Por: Minas News
Tomando Montes Claros como exemplo podemos considerar que há sim que se preocupar com o uso de “fakes news” nas eleições deste ano no Brasil.

Em dezembro do ano passado, durante seminário no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux, disse que as "fake news" (textos falsos disseminados como notícias verdadeiras em redes sociais e em aplicativos de mensagens) "efetivamente podem influenciar negativamente numa candidatura legítima".

"Não quero antecipar o que vou fazer, mas acho que tem de haver um mecanismo de obstrução às “fake News” durante as eleições deste ano, para que elas não sejam capazes de influir no resultado da eleição", disse o ministro.  

A questão é tão séria que a direção-geral da Polícia Federal anunciou a instalação nos próximos dias de um grupo de trabalho em conjunto com outros órgãos federais para discutir meios de coibir as "fake news".

A preocupação é fundamentada. A Polícia Federal não quer que se repitam no Brasil casos de interferência nas eleições como ocorreu nos Estados Unidos culminando com a eleição de Donald Trump.

Investigações naquele país comprovaram que a criação e disseminação de notícias falsas em redes sociais foram usadas para influenciar eleitores durante a disputa.

Mas não é preciso ir tão longe para se comprovar o uso não só das redes sociais, mas de todo um aparato capaz de interferir na escolha de um candidato para beneficiar outro.

Montes Claros, em 2016, na disputa para a Prefeitura polarizando Ruy Muniz e Humberto Souto foi palco de um clássico caso de “lawfare”.

A expressão “lawfare”, usada pela primeira vez na década de 70, nos Estados Unidos, refere se a uma situação em se verifica o uso ilegítimo da legislação em manobras jurídicas com a finalidade de causar danos a um adversário político. Um esforço de guerra organizado para tornar impossível que o alvo escolhido concretize objetivos como o de concorrer a uma função pública.

 

Entre nós a estratégia começou a ser organizada com antecedência.

O primeiro passo foi articular a bancada de vereadores da oposição. Protegidos pela lei que assegura imunidade parlamentar, garantindo ao vereador o direito de falar o que bem quiser da tribuna da Câmara, ainda que seja mentira, sem que possa ser processado por calúnia, começaram a agir.

Na sequência, um jornal da cidade, cujo proprietário reclamava o pagamento de uma dívida herdada pelo prefeito Ruy Muniz, que não a quitou por considera-la abusiva, divulgava as manifestações desses vereadores com amplo destaque.

Exemplares deste jornal eram anexados em inquéritos contra o prefeito.

A instauração destes inquéritos voltava a alimentar o noticiário local, reforçando a impressão de legitimidade das mentiras.

Fui convidado como jornalista a participar de reunião em que o esquema me foi detalhado, na presença de um alto representante da Santa Casa além de outras personagens, envolvidas no esforço contra o então prefeito.

Desde a informação sobre a atuação de ricos empresários que financiaríam a campanha de Humberto Souto, de representante de entidades de classe cooptados com promessas de assumir secretarias, da cúpula da igreja católica, além de vereadores e integrantes dos quadros da Polícia Federal e Ministério Público, a estratégia que me foi revelada na ocasião incluía a escolha de “datas chaves” de forma a provocar o maior dano possível ao projeto de Muniz, candidato a reeleição.

Exemplo disso foi a pressão feita para a desistência, exatamente um dia depois do último prazo legal para a substituição de nomes, junto ao candidato a vice-prefeito na chapa de Ruy Muniz.

Outros episódios apontam para o “lawfare”: sempre com forte aparato policial e ampla cobertura da imprensa foi realizada operação para “apreensão de propaganda eleitoral ilegal” no comitê de Muniz. Passadas as eleições constatou-se que a denúncia era falsa. Mas o estrago já havia sido causado.

Todo esse esforço teria sido em vão não fosse o grande anfiteatro onde os “fatos” fabricados contra Ruy Muniz pudessem ser amplamente repercutidos: as redes sociais, notadamente Facebook e Whatsapp. Aliás, muitos dos perfis falsos utilizados naquela ocasião permanecem ativos.

Tomando Montes Claros como exemplo podemos considerar que há sim que se preocupar com o uso de “fakes news” nas eleições deste ano no Brasil.

Afinal, se é para preservar o direito soberano do povo escolher seu governante, que esta escolha seja livre e sem manipulação.

(Márcio Antunes – jornalista)

 


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